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Marcam a remarcam as sessões

Lembra que falamos do Eduardo Amuri aqui? Ele tem escrito uma série de artigos interessantes para psicólogos. Queremos compartilhar esses artigos com vocês, afinal de contas, os textos super se adaptam para qualquer profissional de saúde.

Fonte da imagem: Reprodução

A relação profissional entre o terapeuta e o paciente se apoia em um acordo que possui algumas premissas que vão garantir que o trabalho ocorra da melhor maneira possível. Como em todo acordo, as duas partes precisam estar engajadas para que as coisas funcionem bem. O que muitas vezes passa desapercebido é a função chave que o terapeuta exerce, que se impõe sobre todas as outras e que só pode ser executada por ele: é ele quem dita o ritmo de tudo, é ele quem conduz.

Muitas vezes, com receio de “perder pacientes”, o terapeuta se posiciona de uma maneira tão flexível, mas tão flexível, que acaba ficando solto demais. Em um primeiro momento, pode parecer que esse cenário é ótimo para paciente, que faz o que quiser, e ruim para o terapeuta, que perde totalmente a noção de como ficará sua agenda e seu bolso nos próximos dias, mas, se analisarmos de maneira um pouco mais profunda, perceberemos que a situação é ruim para ambos.

De maneira declarada ou implícita, se enxergar como parte de um processo estruturado, validado e testado é item fundamental para que o paciente confie e se dedique ao tratamento. A sensação de estar com alguém que sabe o que está fazendo e que não cede aos nossos caprichos e mimos é confortante. Ao invés de afastar, esse pouquinho de rigidez aproxima.

O paciente, por vezes emocionalmente debilitado, quer confiar em alguém e a maneira como lidamos com nossos horários e finanças manda uma mensagem clara sobre quão confiáveis somos.

Um erro comum é analisarmos caso a caso, paciente a paciente. Tomar decisões é desgastante. Cobro ou não cobro essa consulta? Dou desconto ou não dou? Deixo remarcar ou não deixo? Flexibilizar nos casos de exceção é válido, mas, para casos mais comuns, do dia a dia, precisamos de uma politica clara.

Conversei com muitos psicólogos e percebi que existem diversas maneiras de lidar bem com essa questão. Resolvi colocar aqui a mais simples delas. O objetivo não é fazer com que os pacientes parem de remarcar sessões, nem tampouco fazer com que os imprevistos deixem de surgir. A ideia aqui é minimizar o impacto que as movimentações terão no nosso bolso. Precisamos de um pouco de previsibilidade.

  1. O paciente possui um horário fixo, semanal ou quinzenal. Sexta-feira, às 14h, por exemplo;
  2. Se o paciente simplesmente faltar, sem nenhum aviso, a sessão será cobrada normalmente;
  3. Se o paciente desmarcar com 48h ou mais de antecedência, ele pode optar por desmarcar (e não pagar a consulta), ou escolher outro horário na mesma semana;
  4. Se o paciente desmarcar em cima da hora (com menos de 48h de antecedência), ele pode remarcar a sessão.

Dessa forma, garantimos que o impacto financeiro das remarcações será o menor possível, ao mesmo tempo que oferecemos uma estrutura clara aos pacientes. É ótimo comunicar esses termos logo no começo do processo, mas isso não é desculpa para não colocar as coisas nos trilhos com os pacientes antigos. Não existe problema em alterar as regras, especialmente quando temos consciência que a mudança será benéfica para ambas as partes.

Independente de quais regras formos adotar, o mais importante é ter ciência de que elas não estão lá para tornar o processo burocrático e engessado. O foco é aumentar a previsibilidade e fazer com que nossa agenda e fluxo de caixa se mantenham organizados, deixando espaço para que nos preocupemos com as outras questões bem mais importantes, como nosso aprimoramento profissional e o bem-estar dos nossos pacientes.

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