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Sense8 e o poder da conexão

Para quem curte séries esse post vai cair como uma luva. Aliás, para quem não curte também. Até porque vai se identificar com muitos pontos que irei destacar.

Adoro o Netflix, acho que eles estão cada dia melhores. Mas o que eu gostaria de falar aqui não é sobre o Netflix, mas sobre uma de suas séries: Sense8.

Divulgação

É uma série bem complicada de explicar, o melhor é assistir. Mas vou tentar explicar mesmo assim, ok?

Sense8 fala sobre 8 pessoas ao redor do mundo que não se conhecem, mas conseguem se comunicar entre si, os chamados sensates. Aos poucos, eles percebem que estão mental e emocionalmente ligados uns aos outros, permitindo que cada um tenha acesso às habilidades dos outros (falar alemão, cantar, lutar) e vivencie o que os outros estão sentindo, por mais distantes que estejam. Surreal, não? E eles conseguem perceber isso de uma hora para outra, então, imagina só que louco ouvir um barulho de chuva sendo que na sua cidade está um sol absurdo? Ou escovar os dentese ver o reflexo de um homem se barbeando no espelho? Por causa dessa descoberta, o início da série pode parecer um pouco confusa. Mas, nãoooooooooo desista, pois é uma série que tem muito a nos ensinar! Entre os pontos que acredito que a série aborda muito bem destaco os principais: Empatia – Diversidade – Cabeça aberta – Culturas diferentes – Quebra de preconceitos – Mulheres fortes e homens também – Você não é mais apenas você – Fala sobre pessoas.

Arte: Markentista

Empatia

Cada um consegue sentir exatamente o que o outro está sentindo. Ficam com raiva, tristes, alegres, empolgados e até de TPM. E isso vale tanto com as coisas boas quanto com as ruins. Todos sentem medo quando um deles está em perigo. É mais do que se colocar no lugar do outro, é ser o outro. E isso traz uma lição importante para nós, meros mortais: para nós, algo pode não ser lá grande coisa, mas para determinada pessoa é, então, respeitemos, afinal, não sabemos o que a pessoa está passando. E não é porque não é com a gente que não devemos nos solidarizar.

Diversidade

Existe uma enorme diversidade de personagens. Diferenças físicas, culturais, de realidades e de histórias. Para mostrar da melhor maneira, conheça os 8 personagens principais dessa história:

Will, um policial americano super protetor de Chicago, EUA.
Capheus, um motorista de van corajoso de Nairóbi, Quênia.
Sun, uma coreana que é lutadora e filha de um empresário de Seul, Coréia do Sul.
Kala, uma farmacêutica hinduísta de Mumbai, Índia.
Nomi, uma hacker e ativista trans que namora com a Amanita de São Francisco, EUA.
Riley, uma DJ islandesa que se mudou para Londres, Inglaterra.
Wolfgang, um alemão mestre em arrombar cofres de Berlim, Alemanha.
Lito, um ator gay de Cidade do México, México.

Culturas diferentes

Como já mencionado acima, é uma série que mistura diversas culturas. Mas no final de cada episódio reforçam sempre a ideia de que juntos somos um. É muito bonito e emocionante essa conexão que acontece na série. Um dos moemntos mais marcantes da 1ª temporada é quando todos cantam a música “What’s Up”. Veja abaixo!

Cabeça aberta

É uma série para pessoas de cabeça aberta, ok? Quem ainda não tem um repertório sobre a luta das minorias, não vai conseguir se conectar com muita coisa. É para pessoas que têm o coração e a cabeça abertos para novas configurações de casal, de relacionamento, de mulher e de amor.

Quebra de preconceitos

Um casal gay é casal como qualquer outro, com alegrias do dia a dia e com problemas a serem resolvidos. Uma mulher trans pode ser lésbica, já que a identidade de gênero nada tem a ver com a orientação sexual. O casamento não é um sonho de todas as mulheres indianas. Nem todo policial é brutamontes e insensível. “África” não é um país, é um continente – existem vários países dentro dele e classificar todos apenas como “África” é ignorar a pluralidade de povos e tradições. Várias dessas quebras de preconceitos acontecem ao longo da série e nos ensinam muito. E, por mais que tenhamos bastante consciência sobre as coisas, sempre podemos aprender mais sobre tolerância e abrir os horizontes. Afinal, o preconceito tá lá dentro, enraizado, e estamos constantemente desconstruindo.

Mulheres fortes e homens também

As mulheres da série são incríveis! Tanto as sensates quanto as moças do elenco de apoio. Com histórias pra lá de complexas, elas têm personalidades bastante distintas e se destacam pela sua força. São personagens nada óbvias e que trazem relevância e riqueza à série. É muito bom poder ver a pluralidade sendo representada, o seriado traz um discurso inédito em relação à diversidade das mulheres. Mas, claro, não poderia deixar de falar dos homens, todos maravilhosos, corajosos e cheios de atitude!

Você não é mais apenas você

Essa é a frase-tema da série, que traz à tona o que é essa aventura. Os sensates não podem pensar apenas em si mesmos individualmente, afinal, cada um impacta outras 7 pessoas ao redor do mundo. Eles pensam uns nos outros e praticam a empatia para que todo mundo no final fique bem. E isso é o máximo, porque, se pararmos para pensar, nós mesmos não somos apenas nós mesmos. As nossas atitudes e ações podem impactar bastante a vida de outra pessoa, sem mesmo que tenhamos conhecimento disso.

Fala sobre pessoas.

Estamos falando de histórias de pessoas completamente diferentes que, em um dado momento, começam a se conectar de alguma forma e se ajudam mutuamente. Nenhuma delas sabe voar ou tem a intenção de salvar o mundo. São pessoas comuns, como eu e você, que precisam primeiro tomar café da manhã e escovar os dentes antes de ir trabalhar. Que precisam primeiro resolver os próprios problemas para resolver os dos outros – ou que simplesmente ignoram os próprios problemas para ajudar o próximo. Mas, claro, como toda boa série, conseguem transformar até as coisas mais simples em algo interessante.

*Este texto foi inspirado no post do blog Teoria Criativa, do qual utilizei várias partes para compor o conteúdo acima.

Nísia Teles é empreendedora, educadora, consultora e fundadora do Markentista.

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